segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012



A QUARESMA

Dom Fernando Arêas Rifan*

Nesta quarta-feira de Cinzas, começa a Quaresma, durante a qual também se faz a Campanha da Fraternidade. O tema proposto deste ano é “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8), tendo como objetivo geral “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos”.
Mas a Igreja não é uma entidade apenas ou simplesmente filantrópica. Ela vai muito além do corpo e da visão terrestre. Em sua mensagem para a Quaresma deste ano, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, ressalta o caráter espiritual deste tempo litúrgico: “A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”.
O Papa, citando a epístola aos Hebreus (10, 22-25), nos exorta a uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: “trata-se de nos aproximarmos do Senhor com um coração sincero, com a plena segurança da fé, de conservarmos firmemente a profissão da nossa esperança, numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, o amor e as boas obras”. Bento XVI recorda “três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal”.
Primeiro, a responsabilidade pelo irmão: o convite a voltar a atenção ao outro, “a começar por Jesus... O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus... Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão... A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é ‘bom e faz o bem’ (Sal 119/118, 68)... O fato de ‘prestar atenção’ ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual... De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos”.
A reciprocidade: “o fato de sermos o ‘guarda’ dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de considera-la na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual”.
A santidade: “a atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior... à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney

Carnaval

O CARNAVAL

Dom Fernando Arêas Rifan*

Estamos próximos do Carnaval, atualmente uma festa totalmente profana e nada edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor, presencia-se paralelamente uma verdadeira bacanal de orgias e festas mundanas, cheias de licenciosidade, onde se pensa que tudo é permitido. Nesses dias, a moral vem abaixo: até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia.
Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, o acaba abafando e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.
A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, que precede a Quarta-Feira de Cinzas, caindo sempre este 47 dias antes da Páscoa.
Devido à devassidão que acontecem nesses dias de folia, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.
Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dia do Enfermo

DIA MUNDIAL DO ENFERMO

Dom Fernando Arêas Rifan*

No dia 11 de fevereiro, sábado próximo, festa de Nossa Senhora de Lourdes, se comemora também o Dia Mundial do Enfermo. A mensagem especial do Santo Padre para este 20º Dia Mundial do Enfermo, que tem como tema “Levanta-te e vai; tua fé te salvou!” (Lc 17,19), olha também para o próximo “Ano da fé”: “Desejo renovar a minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos locais de reabilitação e são acolhidos nas famílias, exprimindo a cada um a solicitude e afeto de toda a Igreja. Na acolhida generosa e amorosa de toda vida humana, sobretudo daquela fraca e doente, o cristão exprime um aspecto importante do próprio testemunho evangélico, a exemplo de Cristo, que se inclinou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para curá-lo”.

Além de ressaltar a figura do Bom Samaritano (Lc 10, 29-37), o Papa recorda que “o encontro de Jesus com os dez leprosos (Lc 17, 11-19), em particular as palavras que o Senhor dirige a um deles: ‘Levanta-te e vai; a tua fé te salvou!’ (v.19), ajudam a tomar consciência da importância da fé daqueles que, agravados pelo sofrimento e pela doença, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele podem experimentar realmente que quem crê não está nunca sozinho. Deus, de fato, no seu Filho, não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas nos é próximo, nos ajuda a leva-los e deseja curar no íntimo o nosso coração (Mc 2, 1-12)”.

O Papa aproveita para frisar que “o binômio entre saúde física e a cura das feridas da alma nos ajuda a compreender melhor os Sacramentos da cura”, ou seja, a Penitência e a Unção dos Enfermos, que alcançam seu natural cumprimento na Comunhão Eucarística. “A missão principal da Igreja é certamente o anúncio do Reino de Deus, 'mas exatamente esse anúncio deve ser um processo de cura', enfaixar as chagas dos corações partidos (Is 61,1), segundo o encargo confiado por Jesus aos seus discípulos (Luc 9, 1-2; Mt 10,1.5-14; Mc 6, 7-13)”.Quem, no próprio sofrimento e doença, invoca o Senhor está certo de que o Seu Amor não nos abandona nunca, e de que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da sua obra salvífica, não deixa de ser manifestado. A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela assim a importância que o homem na sua integralidade de alma e corpo representa para o Senhor. Todo Sacramento exprime e atua a proximidade de Deus, o qual, em modo absolutamente gratuito nos toca por meio das realidades materiais, que Ele assume ao seu serviço, fazendo disso instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo. A unidade entre criação e redenção se torna visíveis. Os Sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé que abraça corpo e alma, o homem inteiro”. Por isso, o momento do sofrimento ao invés de ser motivo de desespero, pode “transformar-se em tempo de graça para voltar-se para si mesmo, repensar a própria vida e nos próprios erros, como o filho pródigo”. “A Igreja, continuando o anúncio do perdão e da reconciliação ressoado por Jesus, não cessa de convidar a humanidade inteira a converter-se e a crer no Evangelho”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



ESCATOLOGIA, PEQUENAS NOÇÕES

Erick Ramon



A Escatologia é o estudo sobre os últimos acontecimentos. A palavra vem do grego eschatón, que significa último. Este estudo tem por objeto o fim da história da salvação. Sem esta noção não podemos compreender a própria vida da Igreja.

Por que afirmamos isso? Simples. A finalidade da Igreja só será plenamente realizada na eternidade, ou seja, descoberta de forma cabal no fim da história da salvação. O Concílio Vaticano II afirma: “É no fim dos tempos que será gloriosamente consumada [a Igreja], quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos, desde Adão, do justo Abel até o último eleito, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal” (LG,2). “A Igreja à qual somos todos chamados em Jesus Cristo... só será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas; e, como o gênero humano, também o mundo inteiro, que está intimamente unido ao homem e por ele atinge o seu fim, será totalmente renovado em Cristo” (LG,48). Muitas passagens bíblicas comprovam isso. Quando de sua vinda gloriosa, Cristo inaugurará o seu Reino definitivo e toda a criação será renovada.
1Cor 15,24-28 ;Ef 1,10; Col 1,20 s; 2Pe 3,10-13;Is 65; Ap 21,1; Mt 19; Mt 28,20; At 3,21; 1Jo 3,2; Fil 3,20.

Nós, que somos Igreja, devemos ter esta consciência: somos peregrinos neste mundo. Estamos exilados, como diz São Paulo em II Cor 5,6 e Fil 1,23. Não é à toa que paróquia significa terra de exílio.

Entretanto, na Igreja temos a antecipação desta eternidade celestial. A Eucaristia é exatamente isto: o maior tesouro que Jesus Cristo deixou para nós. Na verdade, este tesouro nada mais é do que o próprio Deus! Por isso dizemos, sem sombra de dúvidas ou incertezas que, no momento que comungamos o Cristo Eucarístico estamos experimentando um pedacinho do céu.

Por fim, para terminarmos esta breve explanação sobre noções escatológicas, devemos entender quais são os últimos passos do homem... Céu, Inferno, Purgatório, Limbo? O que cada um destes conceitos significa? Vejamos resumidamente neste pequeno quadro explicativo:

LIMBO: A criança não-batizada só tem o pecado original, que é de herança (Rm 5,19). Como Jesus disse que às crianças pertence o Céu (Mt 18,3; Lc 16,22), os teólogos católicos acreditam que exista um limbo para essas almas. Se após o fim do mundo Deus as receber, só cabe a Ele decidir. Este limbo, entretanto, é uma construção teológica. Outros teólogos acreditam que a criança não-batizada teria "seu" pecado original extirpado no purgatório, pois além de ser um pecado de herança, não é mortal (com pleno consentimento e com matéria grave). Sobre este tema, enviei um e-mail para D.Estêvão Bettencourt e sua resposta foi providencial: "A ressurreição de Jesus possibilitou aos justos do AT entrar na bem-aventurança celeste. O limbo dos pais acaba nesse momento. Quanto ao limbo das crianças que morrem sem batismo, não é doutrina de fé. É lícito dizer que Deus lhes dá a purificação necessária para entrarem no Céu pois o pecado original na criança não é uma culpa nem é um pecado propriamente dito, mas é a carência dos dons paradisíacos que os primeiros pais perderam. Essa carência pode ser perfeitamente suprida pela misericórdia divina de modo a dar à criancinha a bem-aventurança celeste."

CÉU E INFERNO: Jesus cita o Inferno (Mc 9,42-47; 3,29-30; Mt 12,32; Lc 16,25-26; Mt 25,11-12; Mt 25,41; 22,13;10,29; Jo 5,29) várias vezes. O Inferno não é uma imposição de Deus, mas uma escolha livre do homem, que não quer estar com JAVÉ. Nós é que insistimos em justificar o mau uso de nossa liberdade e depois apelar para o argumento de que um Pai nunca poderá nos condenar para sempre. Deus não é objeto de conforto e de utilidade para ninguém. Ou aceitamos o amor de Deus ou rejeitamos esse amor com suas conseqüências: I Cor 15,19 e Mc 9,42s; Mc 3,29s; Mt 12,32; Lc 16,25-26; Mt 25,11-12; Mt 25,41; Mt 22,13; Jo 5,29; Mt 10,29. Ler Mt 25,41s. SETE CÉUS: II Cor 12,1s. Sobre este tema (sete céus) saiba mais clicando aqui.

PURGATÓRIO: Se a pessoa morre ainda com pecados leves, mas não é realmente má, existe o sacrifício do purgatório, sendo considerado a ante-câmara do Céu. Em Mt 12,32 vemos que existem pecados que podem ser perdoados após a morte; em Mt 18,34-35; Mt 5,25-26; I Cor 3,11-15; II Mc12,46 o perdão das faltas acontecerá, mas com oração e sacrifício, espiritualmente falando. A missa de 7o dia existe para amenizar este sofrimento, como em II Mc 12,43-46. É a purgação dos pecados de uma alma voltada para Deus antes de entrar no Céu.
O juízo particular é aquele após a morte, onde a alma será julgada para entrar no céu, no inferno ou no purgatório como Eclo 11,28; 2 Cor 5,1-10; Hb 9,27 (inclusive rechaça a reencarnação); Lc 16,19-22. Confira isso em Lc 23,42 e Mt 17,1s. O juízo final acontece com o fim do mundo, onde os julgados para o céu (vivos) receberão um corpo glorificado (sem limitação do espaço e do tempo, sem fome ou sede) para a felicidade eterna e os que foram julgados para o inferno receberão o corpo para a morte eterna.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Publicamos aos nossos amigos o artigo de nosso Bispo Dom Fernando Arêas Rifan.



VISÃO CRISTÃ DA ECONOMIA

Dom Fernando Arêas Rifan*

Acabo de participar, de 24 a 28 de janeiro, nos Estados Unidos, de um Congresso para Bispos, com a presença de 2 cardeais e 50 Bispos de 18 nacionalidades, promovido pelo Acton Institute, instituição universitária voltada para estudos de economia e sociologia à luz da Doutrina social da Igreja. O congresso deste ano intitulou-se “Economias e culturas em transição: a resposta da Igreja na era secular”.
Na palestra inicial, o Cardeal George Pell, de Sydney, Austrália, falou sobre o papel do Bispo Católico na Sociedade Secular atual, explanando sobre a tensão básica que existe entre a cosmovisão judaico-cristã e o secularismo, resultando dela uma grande ameaça para a cultura. O hedonismo, as drogas, o jogo e a pornografia geram enormes mercados. Na nova era tecnológica, a elite cultural que lidera o mundo e são formadores de opinião, desestima a religião, considerando-a antiquada. Ele frisou que as palavras secularismo e laicismo acabam sendo eufemismos para significar ateísmo. Mostrando que a Igreja tem uma visão coerente dos problemas sociais, ele insistiu na fidelidade ao Magistério, lembrando que não podemos ser católicos de “buffet”, escolhendo só o que nos agrada da Doutrina católica.
Entre as muitas palestras, ressalto a de Dr. Samuel Gregg, doutor em Filosofia da Universidade de Oxford e autor de vários livros, que versou sobre a crise econômica e cultural da Europa, sugerindo que a Igreja não deve se envolver no diagnóstico das causas nem se ocupar da promoção de soluções econômicas específicas, mas atacar a crise nas áreas da moral e da cultura, recordando às pessoas que vivem na mentira, que isto tem consequências no mundo, inclusive na economia.
Discorrendo sobre os efeitos culturais do capitalismo, o Dr. Michael Matheson Miller, graduado em várias universidades e pesquisador em países da Europa, Ásia e África, falou sobre a retidão da economia de mercado, as críticas aos efeitos negativos do capitalismo, dos quais muitas vezes ele não é a causa, mas a ocasião, dando a fórmula para a crise: a razão reabilitada e purificada pela Fé, o progresso temperado pela Esperança e a liberdade purificada e orientada para o Amor.
O Padre Roberto Sirico, diretor, tratou do tema solidariedade e subsidiariedade, dois conceitos inseparáveis da visão social cristã, sobretudo no trato com a pobreza.
Muito interessante foi a palestra do Sr. Frank Hanna, banqueiro e empresário, falando sobre a sua visão cristã do capital e da empresa. Em sua explanação, ele disse que tem 50 milhões de dólares, perguntando-nos quantos de nós seriam tão ricos como ele. Todos riram. E ele disse que essa nossa admiração era devido ao fato de que se costuma definir riqueza como sinônimo de bens materiais, uma visão de fundo marxista. Discorreu sobre o que é realmente riqueza, falando sobre o pecado contra a esperança, que destrói a riqueza, mesmo material. As virtudes e não os vícios são a maior riqueza que podemos ter.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney

terça-feira, 24 de janeiro de 2012








10 ANOS da Administração apostólica São João Maria Vianney!!!!

Dom Fernando Arêas Rifan*

Dia 18 deste mês de janeiro, fez 10 anos da criação da nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, evento que celebraremos durante todo esse ano de 2012, usando como lema a frase do salmo 88: “Misericordias Domini in aeternum cantabo” – “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”, e como tema: “10 anos de graças: gratidão, reflexão e missão”. Fim de uma crise, começo de uma nova história.
Por ocasião do Jubileu do ano 2000, proclamado pelo saudoso Papa Beato João Paulo II, a Santa Sé propôs uma reconciliação aos padres da União Sacerdotal São João Maria Vianney. Fui portador da carta ao Papa, que chorou ao ouvir sua leitura, na qual dizíamos:
“Beatíssimo Padre, humildemente prostrados aos pés de Vossa Santidade, nós, Sacerdotes da União Sacerdotal São João Maria Vianney, da Diocese de Campos..., pedimos vênia para formular ao Vigário de Cristo o nosso pedido e manifestar-lhe a nossa gratidão. Não temos nenhum título para Lhe apresentar: somos os últimos sacerdotes do seu presbitério. Não possuímos nem distinções, nem qualidades, nem méritos. A nossa condição, honrosa aliás, de ser ovelha desse rebanho basta para atrair a atenção de Vossa Santidade. O único título que, pela graça de Deus, ostentamos com brio é o de católicos apostólicos romanos. E em nome dessa nossa Fé católica apostólica romana temos nos esforçado por guardar a Sagrada Tradição doutrinária e litúrgica que a Santa Igreja nos legou e, na medida das nossas fracas forças e amparados pela graça de Deus, resistir ao que o seu predecessor de egrégia memória, o Papa Paulo VI, chamou de ‘autodemolição da Igreja’, esperando desse modo estar prestando o melhor serviço à Vossa Santidade e à Igreja. Beatíssimo Padre, embora sempre nos tenhamos considerado dentro da Igreja Católica, da qual nunca jamais tivemos a intenção de nos separar, contudo devido à situação da Igreja e a problemas que afetaram os católicos da linha tradicional, que são do conhecimento de Vossa Santidade e cremos, enchem o seu coração e o nosso de dor e angústia, fomos considerados juridicamente à margem da Igreja. É esse o nosso pedido: que sejamos aceitos e reconhecidos como católicos... E se, por acaso, no calor da batalha em defesa da verdade católica, cometemos algum erro ou causamos algum desgosto a Vossa Santidade, embora a nossa intenção tenha sido sempre servir à Santa Igreja, humildemente suplicamos o seu paternal perdão...” (15/8/2001).
Em sua resposta afirmativa, o Papa afirma: “acolhendo com afeto o vosso pedido de ser recebidos na plena comunhão da Igreja Católica, reconhecemos canonicamente a vossa pertença a ela”, e nos assegura que a nossa União Sacerdotal será “erigida canonicamente como Administração Apostólica de caráter pessoal, diretamente dependente da Sé Apostólica”, “forma jurídica de reconhecimento da vossa realidade eclesial, para assegurar o respeito de vossas características peculiares”. A realização dessa vontade do Papa concretizou-se no dia 18 de janeiro de 2002, na Catedral diocesana de Campos. Fim da divisão! Uma vitória da Igreja!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal
São João Maria Vianney

sábado, 30 de abril de 2011

Páscoa!



Desejamos a todos os nossos amigos e a todos os internautas uma Feliz Páscoa com as bênçãos de Nosso Senhor Ressuscitado!!!!